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Descobrindo o acervo: caso do bilhete

Publicação:

Imagem gráfica de divulgação do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS).

O layout é dividido em duas partes. À esquerda, há um fundo com fotografias de estantes de arquivo cheias de documentos antigos. Sobre esse fundo, aparece um triângulo verde translúcido com os textos: “#Descobrindo o acervo” no topo e, em destaque, “Caso do Bilhete”. Abaixo, está a identificação “Arquivo Público do RS”. Também há um elemento gráfico estilizado em preto, semelhante a linhas formando uma figura abstrata.

À direita, dentro de uma moldura branca arredondada, aparece a fotografia de um documento histórico. Trata-se de um papel envelhecido com um bilhete manuscrito a lápis, contendo um relato de violência e críticas à atuação da justiça. No canto inferior direito do bilhete, há um pequeno desenho de um rosto humano de perfil.

O conjunto da imagem sugere a apresentação de um caso histórico encontrado no acervo do arquivo.
Capa do site - Foto: Lauren Pimentel - Divulga/APERS
Por Ana Júlia de Lima

Uma briga na janela, um ataque brutal e um bilhete anônimo...

Em outubro de 1874, na vila de Encruzilhada, a viúva Benta Vellosa da Fontoura, então com 62 anos, descrita pelas testemunhas como uma mulher “miserável”, estava à janela de sua casa quando se envolveu em uma discussão com a vizinha da frente. O motivo? Um gesto de desprezo: um cuspe lançado de uma janela à outra.

O desentendimento não terminou ali. Pouco tempo depois, a casa de dona Benta foi invadida pelo marido da vizinha e por seu sobrinho, Manoel Marques Nogueira e Antônio José Nogueira. Armados com um tijolo e a tranca de uma porta, os dois agrediram violentamente a viúva, causando-lhe vários ferimentos na cabeça.

Quem correu em seu socorro foi Albina, uma mulher escravizada, cuja ação ficou registrada no processo.

Mas o detalhe mais curioso dessa história surge fora da cena do crime: um bilhete anônimo, denunciando o ocorrido, chegou às mãos do delegado de polícia do município — e foi anexado ao processo judicial:

No centro da imagem há uma folha envelhecida, com manchas amareladas e sinais de desgaste nas bordas. Sobre ela, está colocado um pedaço de papel menor, também envelhecido, contendo um texto manuscrito a lápis, em português, com caligrafia cursiva.

O texto parece relatar um episódio de violência envolvendo pessoas identificadas como “Nogueira Boticário”, “a mulher”, “o sobrinho” e “a escrava”, mencionando agressões contra uma mulher chamada “Benta Peixoto”. O conteúdo também faz referência à atuação de um delegado e critica a falta de justiça, sugerindo corrupção (“como não tem dinheiro a justiça não se moveu”).

Ao final do texto, há frases com tom crítico e irônico, como “crime que não admite fiança” e “testemunha de vista? só 4!!!”. No canto inferior direito do papel menor, há um pequeno desenho à mão de um rosto humano de perfil.

Abaixo do papel menor, parcialmente visível, há outro trecho de escrita com tinta mais escura, provavelmente parte do documento original.
Imagem do bilhete - Foto: Ana Júlia de Lima - DIPAD/APERS

Histórias como essa seguem guardadas nos documentos do acervo do Poder Judiciário, revelando conflitos, violências e vozes silenciadas que atravessam o tempo.

Quer descobrir outras histórias como essa? Venha pesquisar no APERS!

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