Descobrindo o acervo: caso do bilhete
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Uma briga na janela, um ataque brutal e um bilhete anônimo...
Em outubro de 1874, na vila de Encruzilhada, a viúva Benta Vellosa da Fontoura, então com 62 anos, descrita pelas testemunhas como uma mulher “miserável”, estava à janela de sua casa quando se envolveu em uma discussão com a vizinha da frente. O motivo? Um gesto de desprezo: um cuspe lançado de uma janela à outra.
O desentendimento não terminou ali. Pouco tempo depois, a casa de dona Benta foi invadida pelo marido da vizinha e por seu sobrinho, Manoel Marques Nogueira e Antônio José Nogueira. Armados com um tijolo e a tranca de uma porta, os dois agrediram violentamente a viúva, causando-lhe vários ferimentos na cabeça.
Quem correu em seu socorro foi Albina, uma mulher escravizada, cuja ação ficou registrada no processo.
Mas o detalhe mais curioso dessa história surge fora da cena do crime: um bilhete anônimo, denunciando o ocorrido, chegou às mãos do delegado de polícia do município — e foi anexado ao processo judicial:
Histórias como essa seguem guardadas nos documentos do acervo do Poder Judiciário, revelando conflitos, violências e vozes silenciadas que atravessam o tempo.
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