2ª Conferência Nacional de Arquivos Etapa Estadual - Rio Grande do Sul
A 2ª Conferência Nacional de Arquivos (2ª CNArq) está sendo construída como um espaço de diálogo entre Estado e sociedade, tendo como propósito promover um debate democrático e qualificado sobre governança, financiamento, capacidades institucionais, marco legal e participação social no campo arquivístico. O tema central da Conferência é “Arquivos: agentes da cidadania e da democracia”, destacando a relevância dos arquivos públicos, privados e comunitários nas discussões sobre informação e direitos.
A etapa Nacional ocorrerá de 26 a 28 de maio de 2026 em Brasília, e será precedida por etapas preparatórias de acordo com a mobilização em municípios, estados, distrito federal e organizações da área de arquivos.
No Rio Grande do Sul, a etapa Estadual ocorrerá nos dias 07 e 08 de abril, de forma híbrida e simultânea, a partir de polos. O polo central será sediado em Porto Alegre, na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação – FABICO/UFRGS. Conforme inscrição prévia realizada pela comunidade arquivística local, os polos descentralizados ocorrerão nas cidades de Rio Grande (Arena do Oceantec, Campus Carreiros, FURG) e Santa Maria (Sala dos Conselhos da Reitoria e Prédio 74 A, UFSM).
Para dúvidas, informações e contribuições, entre em contato pelo e-mail 2cnarq-rs@spgg.rs.gov.br
Programação
Inscrição de Polos
A inscrição dos polos descentralizados, sediados no interior do estado, foi realizada por meio de formulário próprio, e encerrou-se no dia 25 de março. Haverá polos descentralizados nos municípios de Rio Grande e Santa Maria.
Comunicado: em 27 de março, após diálogo com a Comissão Organizadora Estadual (COE) e análise das condições logísticas e tecnológicas, Caxias do Sul optou por não sediar um polo descentralizado da 2ª CNArq – Etapa Estadual. O município, que inicialmente havia se inscrito, vai integrar-se às discussões conduzidas pelo polo central, em Porto Alegre. Acesse o comunicado veiculado nas redes sociais aqui.
Inscrição de Participantes
As inscrições de participantes e observadores ocorrem até o turno da manhã do 1º dia de evento (07 de abril). A participação é gratuita. Para inscrever-se, clique aqui.
Eixos Temáticos e Facilitadores:
Este eixo pretende estimular um debate qualificado sobre qual arquitetura institucional o país necessita nos próximos anos, à luz da experiência vivenciada nas últimas décadas, para transformar princípios legais e marcos institucionais em políticas públicas arquivísticas estruturadas, contínuas e capazes de responder às demandas da sociedade e do Estado.
Propõe-se a discutir, entre outros temas: os alcances e limites da legislação vigente, incluindo sua adequação aos desafios contemporâneos; as lacunas entre formulação e implementação de políticas públicas arquivísticas, considerando fatores políticos, administrativos, orçamentários e de financiamento; as capacidades institucionais necessárias ao funcionamento de um regime arquivístico público, incluindo autoridade arquivística que contemple coordenação, estrutura, pessoal, orçamento e financiamento; modelos de governança capazes de articular cooperação entre União, estados e municípios, entre poderes, sociedade civil e instituições públicas de controle; a importância de inserção dos arquivos privados e comunitários de forma efetiva no âmbito da Política Nacional de Arquivos; o papel do CONARQ à luz de sua missão institucional, etc.
Facilitadores do debate:
- Clarissa Sommer - Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS)
- Evelin Melo Mintegui - Curso de Arquivologia / Universidade Federal do Rio Grande (FURG)
- Francisco Cougo Jr. - Curso de Arquivologia / Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
- Francisco Wellington Souza - Arquivo Municipal de Esteio
- Juliano Balbon - Subsecretaria de Governança e Estratégia de TIC e Digital (STI/SPGG)
Esse eixo convida ao debate sobre os caminhos, instrumentos e arranjos institucionais que o Estado brasileiro necessita para que a gestão de documentos se torne, de fato, um componente estratégico da modernização administrativa, da proteção de direitos e da democracia informacional.
A 2ª CNArq é chamada a refletir sobre gestão documental como infraestrutura democrática e como eixo estruturante da governança pública, não como mero conjunto de procedimentos técnicos. Isso exige uma visão ampliada e integrada, que considere, entre outros aspectos:
- A institucionalização de programas de gestão de documentos na administração pública, em todos os poderes e níveis federativos;
- A articulação entre gestão documental e políticas de governo digital, LAI, LGPD e segurança da informação, reconhecendo que esses instrumentos dependem da existência de documentos organizados, classificados, avaliados e preservados;
- O desenvolvimento de capacidades estatais que permitam reduzir assimetrias entre órgãos e regiões do país;
- O fortalecimento das instituições arquivísticas públicas, responsáveis pela orientação, monitoramento e apoio técnico na gestão de documentos, como previsto na Lei nº 8.159/1991.
Facilitadores do debate:
- João Carlos Christoff - Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS)
- Karine Dressler - Departamento Municipal de Água e Esgotos de Porto Alegre (DMAE)
- Natali Reigert - Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS)
Este eixo convida a conferência a pensar a preservação não apenas como conservação física ou digital, mas como uma política de Estado indispensável à democracia, ao desenvolvimento científico e ao exercício de direitos, exigindo visão estratégica, financiamento contínuo, infraestrutura adequada e capacidade institucional distribuída em todo o território nacional. A preservação do patrimônio arquivístico é condição essencial para a continuidade administrativa, para a proteção de direitos e para a construção da memória coletiva. Documentos arquivísticos — em qualquer suporte — constituem evidências irrenunciáveis da ação do Estado, da vida social e das trajetórias de indivíduos e grupos. Preservá-los não significa apenas salvaguardar o passado, mas sustentar a governança pública, assegurar a transparência, viabilizar o acesso à informação e permitir que políticas públicas sejam avaliadas, corrigidas e aperfeiçoadas ao longo do tempo.
Facilitadores do debate:
- Luciana de Oliveira - Associação Nacional de História – Seção RS e GT Acervos: História, Memória e Patrimônio
- Nicole Postai Ostwald - Associação dos Arquivistas do Rio Grande do Sul (AARS)
- Tatiana Azevedo de Oliveira - Associação dos Arquivistas do Rio Grande do Sul (AARS)
Este eixo parte do princípio de que os arquivos são agentes de cidadania, fortalecem a democracia participativa e desempenham papel central no direito à memória, à verdade, à justiça e à reparação, ao mesmo tempo em que qualificam o acesso à informação e ampliam as possibilidades de participação social no Estado brasileiro.
Arquivos públicos estão compreendidos na infraestrutura que viabiliza esse direito: são responsáveis por organizar, preservar e fornecer acesso aos documentos que permitem à sociedade compreender como o Estado age, decide, prioriza e implementa políticas públicas. Sem arquivos estruturados, transparentes e acessíveis, a Lei de Acesso à Informação (LAI) não se efetiva, a participação social se enfraquece e a democracia perde capacidade de prestação de contas. Mas o ecossistema arquivístico brasileiro é mais amplo. Arquivos privados e arquivos comunitários, reconhecidos pelo Decreto nº 12.599/2025, desempenham papel crescente na preservação de memórias, na documentação de lutas sociais e na construção de narrativas que historicamente não foram registradas pelo Estado. Ao produzirem, reunirem ou salvaguardarem evidências sobre trajetórias coletivas, violências, resistências e práticas culturais, esses arquivos ampliam o horizonte da cidadania e fortalecem a diversidade da memória social. Reconhecê-los e integrá-los a políticas públicas não significa tutelá-los, mas entender que compõem, junto aos arquivos públicos, um ecossistema informacional indispensável à sociedade.
Facilitadores do debate:
- Ananda Simões - Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul (AHRS)
- Carina Costamilan - Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS)
- Carla Mara da Silva Silva - Curso de Arquivologia/Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
- Celso Fernando L. Pasquali Fernandes - Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS)
Sem profissionais valorizados, sem condições de trabalho dignas e sem base científica consolidada, nenhuma política arquivística — por mais bem formulada que seja — pode se sustentar. Este eixo convida à construção de uma visão estratégica que reconheça o papel das pessoas que fazem os arquivos existirem. A consolidação de políticas públicas arquivísticas de Estado depende, de maneira inseparável, da existência de profissionais qualificados, de condições adequadas de trabalho e de uma base científica sólida capaz de orientar escolhas técnicas, institucionais e normativas. Contudo, o panorama brasileiro revela um conjunto persistente de assimetrias e fragilidades que afetam diretamente a qualidade da gestão de documentos e da preservação de acervos no país.
Este eixo propõe à conferência a reflexão sobre como construir uma estrutura nacional de formação, trabalho e pesquisa que possibilite a sustentação técnica de uma política arquivística de Estado, viabilizando:
- Formação superior de qualidade, em todas as regiões do país;
- Pesquisa científica aplicada, interdisciplinar e sustentável;
- Políticas de valorização, proteção e profissionalização do trabalho em arquivos;
- Concursos públicos regulares e recomposição de quadros;
- Programas robustos de formação continuada, especialmente para municípios;
- Articulação com o setor tecnológico para responder aos desafios digitais;
- Mecanismos de cooperação entre universidades, órgãos públicos, arquivos privados e comunitários;
- Criação do Conselho Federal de Arquivologia.
Facilitadores do debate:
- Bruno Henrique Machado - Curso de Arquivologia / Universidade Federal do Rio Grande (FURG)
- Camila Lacerda - Coordenação de Gestão Documental / Prefeitura de Porto Alegre
- Carla Mara da Silva Silva - Curso de Arquivologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
Este eixo convida o público a um debate qualificado sobre o papel dos arquivos privados e comunitários na preservação da memória coletiva, na produção de conhecimento, na defesa de direitos e na ampliação da democracia, e sobre as formas pelas quais as políticas públicas arquivísticas devem contemplar essa diversidade. O desafio é identificar e diagnosticar a pluralidade da memória social brasileira expressa nesses arquivos. Uma Política Nacional de Arquivos deve ser capaz de acolher essa complexidade, garantindo condições para que diferentes atores produzam, preservem e disponibilizem documentos que são fundamentais para a sociedade.
Este eixo propõe, portanto, a discussão do lugar dos arquivos privados e comunitários na ecologia documental do país, refletindo sobre:
- Diagnósticos, mapeamentos e pesquisas;
- Parcerias, trocas de experiências e capacitações técnicas entre organismos públicos e privados para a preservação e difusão dos arquivos privados e comunitários;
- Aprimoramento de declarações e certificações públicas que facilitem o reconhecimento e o acesso às políticas públicas para arquivos privados e comunitários, isto é, como definir e reconhecer o interesse público e social presente em arquivos privados, sem reduzir sua diversidade ou subordinar sua autonomia;
- O acesso aos arquivos privados e comunitários declarados de interesse público e social, assegurando preservação a longo prazo;
- Instrumentos legais, administrativos e financeiros necessários para fortalecer a preservação dos arquivos privados e comunitários;
- Articulação de arquivos privados e comunitários às políticas educacionais, culturais, científicas e de direitos humanos;
- Integração dos arquivos privados e comunitários à agenda de cidadania, transparência e direitos.
Facilitadores do debate:
- Clara Kurtz - Associação dos Amigos do Arquivo Público (AAAP-RS)
- Roberta Pinto Medeiros - Curso de Arquivologia / Universidade Federal do Rio Grande (FURG)
- Simone Steigleder - Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul (IHGRGS)
Comissão Organizadora e Executora da Etapa Estadual:
- Ananda Simões Fernandes – Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul
- Camila Lacerda Couto – Coordenação de Gestão Documental / Prefeitura de Porto Alegre
- Carina Costamilan Henriques - Arquivo Público do Estado do RS
- Carla Vargas Segatto – Arquivo Público do Estado do RS
- Celso Fernando Pasquali - Arquivo Público do Estado do RS
- Clara Marli Scherer Kurtz – Associação dos Amigos do Arquivo Público do RS (AAAP-RS)
- Clarissa Sommer Alves - Arquivo Público do Estado do RS
- Flávia Helena Conrado Rossato – Escritório Regional Sul do Arquivo Nacional
- Leolíbia Luana Linden – Curso de Arquivologia / Universidade Federal do Rio Grande do Sul
- Luciana de Oliveira – Associação Nacional de História – Seção RS e GT Acervos: História, Memória e Patrimônio
- Matheus da Fonseca Meller – Casa de Memória Edmundo Cardoso
- Natali Moniqui Reigert - Arquivo Público do Estado do RS
- Roberta Capelão Valença Scholz - Arquivo Público do Estado do RS
- Simone Steigleder – Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul
- Tatiana Azevedo de Oliveira – Associação dos Arquivistas do Rio Grande do Sul
- Vera Lúcia Santos dos Santos – Arquivo Histórico de Porto Alegre Moysés Vellinho
- Vinícius Mitto Navarro – Conselho Estadual de Cultura do Rio Grande do Sul
Documentos Orientadores:
Regimento Interno da Etapa Estadual Rio Grande do Sul - clique aqui
Texto Base da 2ª CNArq - clique aqui
Regimento Interno Nacional - clique aqui
Documento Orientador - clique aqui
Para mais documentos e informações, acesse diretamente o site da 2ª Conferência Nacional de Arquivos, aqui.



